O que o Cordeiro Pascal e o Filho Pródigo Têm em Comum? O Segredo da Palavra Grega Thýō

- Pegue sua Bíblia e vamos conhecer ao Senhor Jesus Cristo em Sua Palavra.
- Bíblia offline de estudos em Android: MyBible
- Bíblia online, via aplicativo ou site: YouVersion (Android, IOS)
Quando lemos sobre as “obras da carne” em Gálatas 5:20, encontramos a palavra “ira”, que no grego é Thymos. Mas para entender a profundidade do que o Espírito Santo quer nos revelar, precisamos ir à sua raiz: a palavra Thýō. Em nosso recente estudo bíblico, a Pastora Sandra Ribeiro e o irmão Vinícius nos guiaram por uma jornada surpreendente, mostrando como Thýō — que significa sacrificar, imolar e matar — conecta algumas das passagens mais importantes da Bíblia, revelando o coração do plano de Deus para a humanidade.
A palavra Thýō não é apenas sobre um ato violento; é a chave que destrava o entendimento sobre o sacrifício redentor de Jesus Cristo, a hipocrisia religiosa e o amor extravagante do Pai.
O Cordeiro Pascal e a Nova Massa: O Sacrifício que Purifica
A primeira conexão que o estudo estabelece nos leva à celebração da Páscoa. Em Marcos 14:12, lemos: “E no primeiro dia da festa dos Pães Asmos, quando se fazia o sacrifício (Thýō) do Cordeiro Pascal…”.
Este não era um sacrifício qualquer. Ele apontava para o futuro, para o sacrifício único e perfeito de Jesus. O apóstolo Paulo torna isso explícito em 1 Coríntios 5:7:
“Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois de fato sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro Pascal, foi imolado (Thýō).”
O estudo nos alerta sobre dois tipos de fermento. Há o fermento do Reino dos Céus, que representa a vida, o crescimento e a presença de Deus em nós. Contudo, há também o “fermento dos fariseus”, que Jesus nos advertiu a evitar.
O Perigo do “Fermento dos Fariseus”
Este fermento maligno representa a hipocrisia, a religiosidade vazia e as doutrinas de demônios. É a prática de rituais externos sem uma transformação interna, um conhecimento da Palavra que não gera vida, mas sim orgulho e condenação. Como foi explicado, muitos líderes religiosos da época “manuseavam as palavras de Deus, mas eles mesmos não viviam aquilo”.
A orientação de “lançar fora o velho fermento” é um chamado para abandonar essa natureza pecaminosa e as práticas vazias, para nos tornarmos uma “nova massa”. Isso só é possível através do sacrifício (Thýō) de Cristo, que não apenas cobre, mas apaga os nossos pecados, mudando nossa própria natureza.
A Festa do Retorno: O Sacrifício que Revela o Coração do Pai
A palavra Thýō reaparece de forma emocionante na Parábola do Filho Pródigo, em Lucas 15. Quando o filho mais novo, arrependido e quebrado, retorna para casa, o pai, movido por compaixão, ordena uma celebração. E o centro dessa celebração é um sacrifício.
- Lucas 15:23: “Trazei também e matai (Thýō) o novilho cevado; comamos e regozijemo-nos.”
- Lucas 15:27: “…e teu pai mandou matar (Thýō) o novilho cevado, porque o recuperou com saúde.”
Este “novilho cevado” não era um animal comum. Era o melhor, guardado para uma ocasião de máxima importância. O pai não se importou com o motivo interesseiro do filho para voltar (a fome); ele só viu que seu filho “estava morto e reviveu”. O sacrifício (Thýō) aqui não é um ritual de purificação, mas uma explosão de alegria e celebração pela restauração da vida.
A Indignação e a Justiça Própria
Enquanto a festa acontecia, o irmão mais velho se encheu de indignação. Sua reclamação ao pai revela um coração focado na justiça própria:
“vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar (Thýō) para ele o novilho cevado” (Lucas 15:30).
Ele via seu serviço ao pai como uma obrigação para merecer uma recompensa, e não compreendia a graça. Sua atitude espelha a dos religiosos que se ofendem quando Deus estende Seu amor e perdão a pecadores arrependidos, àqueles que eles consideram indignos. A parábola, através do uso de Thýō, ensina que o sacrifício que agrada a Deus é aquele que celebra a vida restaurada pela graça, e não aquele que tenta comprar o favor divino por meio de obras.
Vida ou Destruição: O Sacrifício de Cristo Contra a Obra do Ladrão
Finalmente, o estudo nos leva à declaração definitiva de Jesus em João 10:10:
“O ladrão vem somente para roubar, matar (Thýō) e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.”
Aqui, a palavra Thýō é usada para descrever o propósito do inimigo. Satanás quer nos “sacrificar” no altar da destruição, usando a morte — que é o salário do pecado — para nos afastar de Deus.
Em um contraste divino, Jesus inverte essa lógica. Ele se permite ser “sacrificado” (Thýō), tomando sobre Si a morte que nos pertencia, para nos oferecer vida abundante. O mesmo ato que o inimigo usa para destruir, Deus usa, em Cristo, para salvar.
Conclusão: Thýō, a Palavra Que Define o Amor de Deus
De Gálatas a João, a palavra Thýō tece uma linha dourada através das Escrituras. Ela nos mostra que o sacrifício está no centro do plano de Deus. Não um sacrifício nascido da ira para punir, mas um sacrifício nascido do amor para redimir. Cristo é o nosso Cordeiro Pascal que nos purifica, e Seu sacrifício é o motivo da maior festa celestial — a celebração de filhos que estavam mortos e, pela graça, voltaram à vida.