A divisão que o EVANGELHO Causa: O Que a Bíblia Diz Sobre Dissensões e a Verdadeira Fé?

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Quando lemos a lista das obras da carne em Gálatas 5:19-21, encontramos palavras que nos causam um certo desconforto: “inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias (facções)…”. Naturalmente, associamos esses termos a conflitos, desunião e pecado. Mas, seria possível que, sob a ótica divina, a divisão causada pelo Evangelho fosse não apenas necessária, mas um sinal de uma fé genuína?
Assim, neste estudo bíblico profundo, conduzido pela Pastora Sandra Ribeiro e pelo irmão Vinícius, mergulhamos nas raízes gregas das palavras “dissensões” e “facções” para entender a surpreendente verdade por trás da separação que Cristo veio trazer ao mundo.
Dissensões (Stasis): A Divisão Justa que Nos Santifica para Deus
A primeira palavra que analisamos é “dissensões”, que no grego é dichostasia, cuja raiz é stasis. Essa palavra significa “posição, insurreição, briga”. Curiosamente, foi exatamente essa a acusação feita contra o Apóstolo Paulo.
O Cristão como uma “Peste” para o Mundo
Em Atos 24:5, os acusadores de Paulo o descrevem perante o governador Félix com palavras duras:
“Porque, tendo nós verificado que este homem é uma peste e promove sedições [stasis] entre os judeus, esparsos por todo o mundo, sendo também o principal agitador da seita dos nazarenos.”
Para o mundo, Paulo era um problema, um causador de tumulto. Por quê? Porque, como explicado no estudo, “assim como Jesus fazia pregando, anunciando a palavra… causava ali a presença de brasas vivas”. O verdadeiro Evangelho não se conforma com o status quo; ele confronta as trevas com a luz e, inevitavelmente, causa uma ruptura. Essa “insurreição” espiritual é, na verdade, a santificação em ação: o ato de ser separado do mundo para pertencer a Deus. Não é uma briga por orgulho, mas uma posição firme na verdade do Evangelho que nos faz vencedores em Cristo.
O Tabernáculo Terreno e a Realidade Espiritual em Cristo
A raiz da palavra stasis também nos leva a uma profunda reflexão sobre o sistema de adoração do Antigo Testamento. Em Hebreus 9:8, o autor explica o simbolismo do Tabernáculo:
“Querendo com isto, dar a entender o Espírito Santo, que ainda o caminho do santo lugar não se manifestou, enquanto o primeiro tabernáculo continuava de pé [stasis].”
Então, o “primeiro tabernáculo” (o Lugar Santo) representa o sistema antigo, a adoração externa e a lei que não podiam purificar a consciência. Enquanto esse sistema estava “de pé”, o acesso ao Lugar Santíssimo, à presença plena de Deus, estava velado. Foi preciso que o “tabernáculo” do corpo de Cristo fosse derrubado na cruz para que o véu se rasgasse e o caminho fosse aberto.
Hoje, nosso corpo é o templo do Espírito Santo, mas ainda é um “tabernáculo terreno”. Gememos, esperando o dia em que seremos revestidos do nosso corpo celestial. Enquanto essa estrutura carnal estiver “de pé”, vivemos pela fé, não pelo que vemos, firmados na âncora de nossa alma: a esperança em Cristo Jesus.
Facções (Hairesis): Escolhendo o Caminho da Verdade
A segunda palavra de Gálatas 5:20 é “facções”, traduzida do grego hairesis, que significa “ato de escolher, um partido, uma seita”. Novamente, o que parece negativo é ressignificado pela ótica do Evangelho.
A “Seita dos Nazarenos”: um Partido Escolhido por Deus
Os primeiros cristãos eram chamados de “a seita dos nazarenos” (Atos 24:5). Era uma facção, uma divisão dentro do judaísmo. No entanto, em sua defesa, Paulo declara ousadamente:
“Porém, confesso-te que, segundo o caminho a que chamam seita [hairesis], assim eu sirvo ao Deus de nossos pais…” (Atos 24:14).
Logo, ser cristão é, de fato, uma escolha. É a escolha pelo Caminho, pela Verdade e pela Vida. É uma facção que se separa das religiões e filosofias do mundo para seguir unicamente ao Senhor Jesus Cristo. Embora o mundo veja isso como uma seita radical, para Deus é o partido dos Seus filhos eleitos.
Da Escravidão à Herança: A Missão do Evangelho
A missão que Cristo deu a Paulo, e que se estende a nós, revela o propósito glorioso dessa “facção”. Em Atos 26:17-18, Jesus diz a Paulo que o envia para:
“abrir-lhes os olhos e convertê-los das trevas para a luz e do poder de Satanás para Deus, a fim de que recebam o perdão dos pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.”
Portanto, essa é a essência da conversão. Deixar de seguir o “príncipe das trevas” para se submeter ao Reino da Luz. É uma mudança radical de governo espiritual. É por isso que a divisão é inevitável. Não há comunhão entre luz e trevas.
Conclusão: a Metanoia e a Santificação pela Palavra
Tanto a dissensão (stasis) quanto a facção (hairesis) apontam para uma verdade central: a vida cristã exige uma mudança de mente, uma metanoia. Como foi enfatizado na pregação, “se uma pessoa não muda a sua maneira de pensar, como é que ela vai mudar as suas atitudes?”.
Assim, essa transformação não vem do remorso ou da força de vontade, mas da lavagem contínua pela Palavra de Deus. “A única coisa nesse mundo que Ele deixou para nós é a Sua Palavra. Se não seguirmos com ela, então, o Espírito Santo não tem como nos conduzir“, pastora Sandra Ribeiro. É a Palavra que nos santifica, nos separa, e nos equipa para vivermos como cidadãos dos céus, mesmo estando nesta terra.
Então, que possamos abraçar a santa divisão que o Evangelho causa, firmando nossa posição no Senhor Jesus Cristo e escolhendo diariamente o Caminho que nos leva à vida eterna.