Da Ira ao Convite Divino: Desvendando o Chamado de Deus em Gálatas 5 e a Parábola das Bodas

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Em nosso estudo bíblico ao vivo, conduzido pela Pastora Sandra Ribeiro e o irmão Vinícius, iniciamos uma jornada em Gálatas 5:20, na palavra “iras”, mas fomos guiados pelo Espírito a uma análise muito mais profunda: a natureza do chamado de Deus. A chave para essa revelação se encontra na Parábola das Bodas, narrada por Jesus em Mateus 22.
Quando o rei da parábola diz: “eis que já preparei o meu banquete, os meus bois e cevados já foram abatidos, e tudo está pronto, vinde para as bodas” (Mateus 22:4), ele envia seus servos aos convidados. Mas quem são, de fato, esses convidados? A resposta a essa pergunta desvenda o plano de salvação de Deus, a predestinação e a justiça que vem somente pela fé.
O Que Significa Ser “Convidado” por Deus?
Para compreender o peso deste convite, precisamos olhar para a palavra grega original usada para “convidados” ou “chamados”: kaleo. Como a Pastora Sandra explicou, kaleo vai além de um simples convite. Significa: “chamar em alta voz, proferir em alta voz, chamar pelo nome, dar um nome, ostentar um título”.
Este não é um convite genérico, mas um chamado soberano e pessoal. Deus não apenas convida; ele chama pelo nome, designando uma identidade e um propósito. Vemos isso desde o início, quando Jesus é “chamado” Salvador (Mateus 1:21) e Emmanuel (Mateus 1:23). O próprio Cristo é o primeiro a ser chamado pelo Pai para a obra da redenção.
Este mesmo chamado se estende a nós. Jesus declara:
“Não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento” (Lucas 5:32)
O convite é para aqueles que se reconhecem necessitados da salvação, não para os que se consideram justos por seus próprios méritos.
A Corrente de Ouro da Salvação: Predestinados, Chamados e Justificados
O apóstolo Paulo, em sua carta aos Romanos, nos oferece uma visão clara deste processo divino, que podemos chamar de “corrente de ouro” da salvação:
“E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.” – Romanos 8:30
Muitos interpretam mal a palavra “predestinou”, acreditando que Deus escolhe arbitrariamente alguns para o céu e outros para o inferno. No entanto, o estudo nos revelou que a predestinação está intrinsecamente ligada à presciência de Deus. Como a pastora ressaltou: “Isso daqui é mediante a presciência de Deus. Deus já sabia de antemão quem aceitaria o seu convite através do seu Filho […] e aqueles que não aceitariam.”
Deus, em Sua soberania, conhece o fim desde o começo. Ele não força a escolha, mas conhece a escolha que cada coração fará.
- Aos que Ele predestinou (soube de antemão que aceitariam), Ele também chamou (kaleo) com um convite eficaz.
- Aos que chamou e responderam com fé, Ele justificou, declarando-os justos através do sacrifício de Cristo.
- E aos que justificou, Ele já glorificou em Seu plano eterno, selando-os com o Espírito Santo como garantia da glória futura.
A Pedra de Tropeço: Por Que Israel Rejeitou o Convite?
A Parábola das Bodas mostra que os primeiros convidados rejeitaram o chamado, cada um dando uma desculpa para cuidar de suas coisas terrenas. Isso aponta diretamente para a nação de Israel, que, apesar de ter recebido as promessas e a Lei, em sua maioria, rejeitou o Messias.
Paulo explica isso em Romanos 9, mostrando que a verdadeira descendência de Abraão não é a da carne, mas a da fé. O problema não estava na Lei, que é santa, justa e boa, mas na forma como eles a buscavam:
“Por que não? Porque não a buscavam pela fé, mas como que por obras. Tropeçaram na pedra de tropeço, como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo; e aquele que nela crê não será confundido.” – Romanos 9:32-33
Israel buscava uma justiça própria, baseada em seu desempenho e em sua capacidade de cumprir a Lei. Ao fazerem isso, tropeçaram em Jesus Cristo, a rocha que é a justiça de Deus manifestada pela fé. Para aqueles que confiam em suas próprias obras, Cristo é uma pedra de tropeço; mas para aqueles que, reconhecendo sua incapacidade, confiam n’Ele, Ele é a rocha firme da salvação.
Da Rejeição à Plenitude: O Convite Estendido aos Gentios e aos Remanescentes
A rejeição dos primeiros convidados abriu a porta para que outros fossem chamados: os gentios. Como diz em Oseias, e Paulo repete em Romanos 9:25-26:
“Chamarei povo meu ao que não era meu povo… e no lugar em que se lhes disse: Vós não sois meu povo, ali serão chamados filhos do Deus vivo.”
Nós, gentios, que não tínhamos parte na aliança, fomos alcançados por este convite da graça. No entanto, a parábola termina com um detalhe intrigante: o rei ordena que seus servos obriguem as pessoas a entrar, para que a casa fique cheia. A pastora Sandra explica que isso aponta para um remanescente de Israel, aqueles que, pela dureza de coração, só reconhecerão o Messias durante a grande tribulação. Eles serão “compelidos” pelas circunstâncias a entrar no Reino, cumprindo o número que Deus, em sua presciência, determinou.
Conclusão: Vivendo o Chamado Pelo Espírito
Portanto, o estudo nos mostra que o convite de Deus é um chamado para abandonar a confiança em nossas próprias obras e abraçar a justiça que vem pela fé no Senhor Jesus Cristo. É um chamado para sermos cheios do Espírito Santo, pois é somente através d’Ele que a Lei de Deus é escrita em nossos corações e podemos viver uma vida que agrada ao Pai celestial.
A questão central não é se somos bons o suficiente, mas se respondemos “sim” ao convite. A salvação não se trata de nossa performance, mas de nossa confiança na Rocha, que é Cristo. Que possamos, hoje, viver de acordo com este chamado, crescendo na graça e no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, para que nossas vidas produzam os frutos do Espírito, para a glória de Deus.