“Política” na Igreja: Como o Espírito de Partidarismo Destrói a Verdadeira Comunhão

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Você já presenciou divisões na igreja? Aquela sensação de que existem “lados”, onde opiniões pessoais se tornam mais importantes que a Palavra de Deus e a comunhão é quebrada por interesses particulares? Este não é um problema moderno. O apóstolo Paulo já o combatia e o classificou como uma perigosa “obra da carne”: a discórdia.
Assim, neste estudo bíblico, ministrado pela pastora Sandra Ribeiro e o irmão Vinícius, mergulhamos no significado profundo da palavra grega eritheia (G2052, Strong), frequentemente traduzida como discórdia ou partidarismo, para entender como essa semente maligna opera e como podemos combatê-la com as armas do Espírito.
A Raiz da Discórdia: O Que a Bíblia Chama de “Eritheia”?
Em sua carta aos Gálatas, capítulo 5, versículo 20, Paulo lista as obras da carne, e entre elas encontramos a eritheia. Mas o que ela realmente significa?
Conforme explicado no estudo, essa palavra, antes do Novo Testamento, era usada por Aristóteles para descrever uma “perseguição egoísta do ofício político através de meios injustos”. No contexto bíblico, ela carrega esse mesmo DNA:
- Propaganda eleitoral: A tentativa de promover a si mesmo ou a um grupo em detrimento de outros.
- Intriga por um ofício: O desejo de se colocar acima, de ter uma posição de destaque.
- espírito partidário e faccioso: A tendência de criar divisões e “panelinhas”, onde a lealdade a um grupo ou a uma opinião pessoal se sobrepõe à lealdade ao Senhor Jesus Cristo e à Sua Palavra.
É esse tipo de espírito que leva alguém a dizer “eu sou de Paulo” ou “eu sou de Apolo”, fragmentando o Corpo de Cristo. É a mentalidade que surge quando nosso “eu acho” se torna mais alto do que o “está escrito”, como disse o irmão Vinícius.
O Combate Interior: Onde Nasce o Partidarismo?
Muitas vezes, tentamos resolver problemas de divisão com regras humanas ou tratamentos superficiais. No entanto, a pastora e professora Sandra Ribeiro nos lembra que a raiz é muito mais profunda: está na nossa alma e na sua luta contra a natureza carnal.
A Alma: Sede da Nossa Personalidade
A Palavra de Deus é clara em Ezequiel 18:4: “a alma que pecar, essa morrerá.” Por quê a alma? Porque é nela que residem nossa mente, nossas emoções e nossa consciência. Ela é a essência de quem somos com relação à nossa parte humana. Quando a natureza carnal, contaminada pelo pecado, incita a alma com seus desejos egoístas – como a vanglória e a necessidade de receber elogios – nascem as obras da carne, incluindo a eritheia.
Remédios e terapias podem tratar o corpo (o cérebro), mas não alcançam a raiz espiritual do problema. É por isso que a solução de Deus é espiritual, é Ele mesmo, o Espírito que Ele nos deu. Como diz Hebreus 4:12, somente a Palavra de Deus é viva, eficaz e “apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração”, separando alma e espírito.
O Antídoto Divino: Unidade e a Mente de Cristo
Se o problema é um espírito de autoexaltação, o antídoto é um Espírito de humildade. O apóstolo Paulo nos dá a receita em sua carta aos Filipenses:
“Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo.” – Filipenses 2:3
A exortação é para que sejamos “unidos de alma, tendo o mesmo sentimento”. E que sentimento é esse? O mesmo que houve em Cristo Jesus, que, sendo Deus, “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo” (Filipenses 2:7). A verdadeira unidade não vem de termos a mesma personalidade, mas de termos a mesma consciência e concordância com relação à Palavra de Deus que nos fornece humildade verdadeira e serviço digno do nosso Senhor Jesus Cristo, assim como que Jesus Cristo nos ensinou.
As Consequências Visíveis: Confusão e Toda Espécie de Coisa Ruim
O partidarismo nunca é inofensivo. Ele sempre produz frutos podres. Tiago nos adverte de forma contundente sobre isso:
“Pois onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins.” – Tiago 3:16
A inveja amargurada e o sentimento faccioso (eritheia) são sementes que, uma vez plantadas no coração da comunidade, inevitavelmente gerarão um ambiente de desordem, desconfiança e maldade. É por isso que a comunhão dos santos é tão vital. É na luz da Palavra e no convívio com os irmãos que essas raízes de amargura são expostas e podem ser cortadas pelo poder do Espírito Santo.
Conclusão: Escolhendo a Verdadeira Comunhão
Portanto, o combate ao espírito de partidarismo começa dentro de cada um de nós. Requer uma decisão diária de submeter nossa opinião à Palavra de Deus, de mortificar o desejo de autoexaltação e de buscar a edificação do nosso irmão em vez da nossa própria glória.
Que possamos ser guiados pelo Espírito Santo, que nos une, e não pela carne, que nos divide. O chamado é para uma uniformidade de pensamento, para uma unidade no Espírito, ancorada na verdade do Evangelho e no amor humilde de Cristo Jesus. Que cresçamos, pois, na graça e no pleno conhecimento de Cristo Jesus.